segunda-feira, 21 de Dezembro de 2009

Tributação suíça: o paradoxo neoliberal
O país mantém várias estatais e, simultaneamente, é amado pelos milionários


Hoje tive a oportunidade de conversar novamente, depois de cinco anos, com uma amiga da família que está passeado por Belém. Trata-se de uma procuradora federal da Suíça (de um órgão que lá equivaleria à Procuradoria-geral da União daqui), lotada em Zurique, que trabalha apenas na investigação de crimes financeiros, principalmente lavagem de dinheiro.

Na conversa, muito produtiva, passamos por vários temas como segurança, social, economia, justiça et cetera. Com um português (além de outros idiomas) impecável e uma paixão pelo Brasil - e principalmente pela Amazônia - tem cultura para dar e vender.

Em um dos pontos mais interessantes da conversa, perguntei:
como a Suíça consegue, ao mesmo tempo, manter um sistema de baixos impostos e tudo funcionando muito bem?

Ela foi contundente:
os governos federal, cantonais e municipais têm empresas

E continuou: o governo federal, por exemplo, possui as ferrovias, os correios, empresas de engenharia, além de muitos imóveis alugados e participações em vários ramos; os governos regionais e locais têm empreendimentos menores, como imóveis para alugar e empresas mistas.


Regressivo e progressivo ao mesmo tempo
A Suíça mantém um sistema muito atraente para milionários, rentistas, altos autores e artistas, esportistas de alta estirpe, enfim, além de manter o modelo social de subsidiar a vida dos menos providos. Assim, os ricos e os pobres pagam percentualmente bem pouco impostos; já a classe média paga poucos impostos.

A lacuna entre "pouca" arrecadação de impostos e "altos" gastos governamentais é coberta justamente com os frutos das rendas dos bens pertencentes ao Estado suíço - sejam eles totalmente estatais ou mistos.


Solidariedade entre cantões
No Brasil, o governo federal é muito forte se comparado aos estaduais e municipais, e cabe a ele redistribuir, recursos e ajudas; na Suíça os governos regionais que são fortes e muito autônomos, em relação ao federal. Assim, os cantões mais ricos responsabilizam-se por essa ajuda aos cantões menos abonados...

...enquanto isso aqui no Brasil, os estados mais ricos não querem abrir mão de cada centavo do pré-Sal, o que só faz fortalecer ainda mais a imigração desordenada e o afavelamento em seus ricos rincões. Com uma visão de longo prazo veriam que manter um nordestino pobre no Nordeste é mais barato que o atrair para o Sudeste - algo parecido com os EUA fazem no México: um dos motivos de incentivar investimentos lá é estancar a migração.


Empreendimentos estatais e baixos impostos
Quando fala-se em estatais, alguns podem imaginar que isso obrigatoriamente significa uma sociedade onde até mesmo a barraquinha de cachorro-quente da esquina pertence ao Estado, uma extremista lembrança da União Soviética. Pensar assim é pensar que o capitalismo contemporâneo deveria ser exclusivamente monopolista.

A grande diferença do empreendimento estatal na União Soviética e na Suíça é que na URSS ele era o fim em si, já no alpino país dos chocolates é o meio: meio através do qual um governo tem grande orçamento mesmo subtaxando sua economia.

Visualizar a situação, esquematicamente, não é difícil: de uma maneira ou de outra, dinheiro sairá dos nossos bolsos para financiar o Estado e para cobrir nossas despesas - a grande diferença está entre embutir ambas coisas ou pagar duas vezes.

Não querendo parecer radical ou marxista, mas seria a diferença entre pagar impostos diretos ao governo e comprar produtos, sabendo que uma fração será repassada ao governo - ou, ao mesmo tempo, comprar produtos onde uma boa parte vá para o governo e, por causa disso, pagar menos impostos diretos.
* e com relação à qualidade dos produtos estatais suíços, é sem comentários.


Suíça quer lavar sua reputação
De tempo para cá, a Suíça começou uma guerra judicial para extirpar sua má-fama de oásis para ladrões, receptadora de dinheiro sujo/frio/anônimo, empresas de fachada, lavagem de dinheiro, entre outros: vem quebrando mesmo sigilos bancários, indo atrás de desmascarar suspeitos... e inclusive contesta o conceito tradicional de paraíso fiscal.

O interessante é que os países mais ricos da Europa, com destaque para a Alemanha, estão muito engajados nisso. Os conflitos dão-se principalmente contra Liechtenstein, ilhas do Canal da Mancha e paraísos fiscais soltos pelo mundo.

Outro ponto questionável é a posição da Inglaterra diante desse combate: são atos para inglês ver, pois prometem rigor e atrasam em demasia os processos, superburocratizam, não apresentam boa vontade, assim por diante. Mas é compreensível: o Reino Unido abriga talvez a maioria dos paraísos fiscais do mundo, como Ilhas Cayman, Ilhas Virgens Britânicas, Alderney, Jersey, Guernesey, São Cristóvão e Neves, por aí vai.

Os ingleses devem ter feito um cálculo: tomando tudo o que o Reino Unido levanta com esses paraísos fiscais e subtraindo do quanto a evasão leva embora da ilha da Inglaterra propriamente dita. Para ficarem em tal posição, talvez o quociente seja positivo...

Só uma pequena observação: a sonegação fiscal na Suíça não é crime - apenas uma contravenção.


Renúncia fiscal lá é difente daqui
E lá também existe guerra fiscal entre os lugares: além dos impostos federais, existem os regionais e locais, todos pagos em fatura única e anual. Enquanto aqui brigamos para ver quem receberá um projeto agromineral ou, no máximo, industrial, lá a briga é basicamente para atrair empresas do comércio e serviços - atividades tidas como menos penosas e mais civilizatórias.

Um exemplo dado pela procuradora é que se um multimilionário decide residir em um cantão de economia insignificante, ele próprio bancará a estrutura governamental - o que poderia criar a análise até de abaixar os impostos para o resto da população.


O fundo norueguês
Um instrumento muito elogiado pela suíça é o fundo social que a Noruega criou para destinar recursos ao país a partir de uma volumosa fatia que se apropria de suas grandes reservas petrolíferas. Eles têm consciência de que o petróleo vai terminar, e até lá querem ter financiado muitos estudantes, muitas cooperações.

Esse fundo é gerido por vários conselheiros e usado também para investir em empresas que se comprometam com as questões sociais e questões ambientais... um exemplo simbólico é o investimento que retiraram da rede de supermercados Wall Mart, por julgarem não haver respeito suficiente aos empregados: pois a rede alterou sua política interna e reconquistou o fundo. É para ter uma noção da influência.


A "lógica suíça" de tributação
Um rol muito estreito de países adota essa lógica de cobrar baixos impostos ou nem cobrar impostos e compensar tal situação através de outras rendas. Os mais recorrentes são países árabes ricos em petróleo; depois vêm os paraísos fiscais, que se mantêm através das mensalidades de empresas de fachadas; e por fim todos os outros, principalmente os que se sustentam sobre empreendimentos estatais, como a Suíça quer ser (saindo da classificação de paraíso fiscal).


Dubai: competência e semiescravidão
Dubai é uma experiência inegligível: mesmo estando em moda, é outro lugar onde o cachorro dá voltas e morde a própria cauda, teoricamente falando. É uma exceção em um mar de reinos árabes que se enriqueceram através do petróleo: sua riqueza vem de comércio e serviços. O emirado mantém uma sorte de empreendimentos estatais, como a Dubai World e a Emirates: como o pai ganha muito dinheiro, não é necessário os filhos colaborarem com as despesas da casa!

Entretanto, outro lado, dessa vez social, colocado pela procuradora é a alta mordomia com que trata os cidadãos de sua etnia e a desumanidade com trata seus migrantes pobres: paquistaneses, indianos, africanos recebem muito pouco, moram em condições insalubre, submetidos a altas temperaturas e acima disso são negociados quase como mercadorias. Acontece não somente em Dubai, como também no Qatar, país visitado pela jurista, Arábia Saudita e outros emirados.


Uruguai: inexplicável
Para o Banco Central do Brasil, paraíso fiscal é qualquer país que taxe seu cidadão em qualquer faixa abaixo de 20% ao ano: um conceito bem técnico. Recentemente, o Brasil retirou o Uruguai de sua própria lista de paraísos fiscais - lugares que geram suspeitas quando há remessa de recursos para lá. Pelo que me lembre, o Brasil quer apenas um termo de compromisso que o brasileiro que enviar capitais ao país vizinho irá trazê-los de volta um dia.

O detalhe é que Montevideo dá muita flexibilidade para estrangeiros terem empresas por lá, fornece sigilo de identidade para os sócios; além de cobrar uma taxa módica de 0,3% sobre o patrimônio de empresas offshore - isso é, de fachada. Bem caracterizado como paraíso fiscal.

A procuradora, acostumada a frequentar congressos internacionais de combate à lavagem de dinheiro, disse ter visto pessoas de "todas as nacionalidades da América do Sul", mas nunca ter visto alguém do Uruguai - e colocou mais: que na sua opinião, é um dos países mais tenazes e um dos que menos colaboram, ficando não muito atrás de Cayman.


Enfim, Suíça.
A Suíça é um país assim, onde a cooperação tem importância, onde mesmo havendo o foco para a atração de estrangeiros ricaços, existe uma certa consciência de coletividade, na qual o que é de um pode servir aos outros... e havendo uma nitidez (e/ou punho estatal) de que não conferir lucro direto à iniciativa privada semeia um campo para gerar lucros indiretos muito maiores.


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terça-feira, 27 de Outubro de 2009

Incrível tecnologia de 1/4 de século

Tecnologia para fazer animações em 3D. Parece algo novíssimo ou só cabível ao século XXI? Pois assista a este vídeo e tente descobrir quantos anos tem.



Feito em 1984: a primeira animação em 3D da Lucasfilm, do hollywoodiano George Lucas. Nos créditos finais estão nomes de hoje renomados profissionais da área.

domingo, 25 de Outubro de 2009

Mantega taxa capital externo especulativo

A partir desta semana, o ministro Mantega passou a tributar a entrada de dinheiro estrangeiro que venha para o Brasil afim de ser aplicado em especulação: bolsa de valores e afins. Alíquota de 2%, cobrado via IOF, de uma única vez. Já o capital para ser aplicado na economia real não será tributado.

Aparar as extremidades
Com a medida, o ministro espera aparar as extremidades, ou seja: dar menos força para quando o capital quiser entrar, justamente para que (consequentemente) tenha menos fôlego na hora de sair - já que a tributação é só na entrada, fica menos interessante retirá-lo do país. Uma espécie de estabilizador.

Outro objetivo também é alimentar um fundo para proteger a cotação do real/dólar dos dissabores do mercado: quando necessário for regular a moeda, usa-se o fundo. Talvez gere uma linha ascendente mais estável na Bovespa: cenários mais previsíveis. Miocardios e investidores menos ágeis agradecem.

A taxa parece um pouco alta e para valer a pena ao investidor, será necessário mais desempenho especulativo: talvez por isto o capital seja administrado com mais parcimônia. Gostei da medida.


Link da matéria na Uol: aqui.
Bye. Buy?!
Charge humorística sobre o mercado financeiro, em inglês, com minha própria versão:

Sell

I've got a stock here that could really excel
(eu tenho uma ação aqui que pode realmente valer a pena)

really excel?

excel?

sell

sell!!!
(vende!!!)

Buy

this is madness! I can't take anymore. Good bye.
(isto é loucura, eu não aguento mais! Adeus)

good bye

bye?

buy?

buy!!!
(compra!!!)

segunda-feira, 19 de Outubro de 2009

Vale anuncia grande investimento para 2010

A Companhia Vale do Rio Doce anunciou nesta segunda-feira, 19/10/2009, que investirá 24,5 bilhões de reais em suas operações no Brasil, em 2010 - a maior parte vem para o Pará. O previsto para 2009 era de 9 bilhões: houve um crescimento de 172%.

As expectativas são de crescimento econômico no estado acima da média nacional, grande geração de empregos, aumento da arrecadação pública - e infelizmente, mais migração desordenada.

O anúncio teria vindo após apelos do presidente Lula para que a empresa verticalizasse sua produção: ou seja, não simplesmente exportasse minério bruto, mas sim industrializasse-o em solo nacional.

Industrializar
O desejo do presidente está certíssimo, por sinal, essa é uma das teclas mais batidas aqui pelo estado: um dos maiores problemas da economia paraense seria que, apesar de ser uma das maiores exportadoras do Brasil, exporta produtos brutos, baratos (por exemplo, uma tonelada ferro custa apenas 60 dólares: preço de um par de tênis).

A solução, de conteúdo, segundo os críticos regionais, seria fortalecer a siderurgia e, se possível, a metalurgia no Pará - o que poderia criar uma espécie de ABC paulista na Amazônia.

Entretanto, o problema está na forma: o presidente da Vale foi muito feliz em afirmar que sua empresa é mineradora, e se for industrializar seus produtos, irá acabar virando uma concorrente de seus (atuais) clientes.

Oportunidade de nova mista
Perante o desejo de verticalização, seja do presidente do Lula, seja da classe com algum senso crítico do Pará, parece que se acende a oportunidade de criar-se uma nova grande empresa brasileira: uma empresa de economia mista para adquirir o minério e industrializá-lo, algo como Siderubras. Assim, matar-se-iam dois coelhos em uma cajada só: mais indústria e mais arrecadação estatal.

Que tal? Dinheiro no BNDES e BASA não falta.

quarta-feira, 14 de Outubro de 2009

Belém na Mac+

A edição #040 da Mac+, revista produzida pela Apple Brasil, sobre os computadores da empresa da maçãzinha, exatamente na página 27 traz uma imagem grande do cais da Casa das Onze Janelas, um cartão-postal de Belém ao lado do Forte do Castelo, próximos ao Ver-o-Peso. Sem legendas, a paisagem fica por conta do olho clínico dos moradores e turistas que conhecem Belém.


Link para o sítio da revista: aqui.

Link para a reportagem: aqui.


Mato Grosso quer um Sergipe do Pará

A Procuradoria do Mato Grosso deseja remarcar as divisas estaduais com o Pará. Em disputa, 2,4 milhões de hectares de floresta, tamanho do estado de Sergipe. Uma faixa com (ainda) grande beleza natural.

A divisa oficial é uma linha com dois pontos: no ponto leste, onde há tríplice divisa com Tocantins, não há problema; o problema está no ponto oeste: existe uma confusão dos nomes de dois acidentes geográficos, entre Cachoeira das Sete Quedas ou Salto das Sete Quedas, um deles mais ao sul (como é hoje) e outro mais ao norte (como o estado vizinho deseja).

O pretexto são os registros do Marechal Rondon, da década de 50, quando a divisa entre os dois já estava consolidada. Segundo juristas paraenses, isto é fome do agronegócio matogrossense.

Já não basta os minérios que já levam quase de graça, a única estrela acima da faixa Ordem e Progresso, dentre várias outras coisas, ainda vem Mato Grosso querer levar coisas do Pará...

Litígios
Além desta disputa ligiosa, o Pará também envolve-se em outra disputa litigiosa, com o Amazonas: por uma área entre Juriti/PA (rica em bauxita) e Parintins/AM, no curso do Rio Amazonas, hoje parte do estado do Amazonas.

terça-feira, 13 de Outubro de 2009

Pará ganha seu 144º município

Pouco divulgado, Mojuí dos Campos emancipa-se de Santarém. Texto do NoTapajos.com:

Política - TSE aprova referendo e Mojuí dos Campos virá município
22/08/09 às 09h13min
TSE aprova referendo e Mojuí dos Campos virá município
Brasil - O Estado do Pará deve ter em breve eleições para um novo município, que está em fase final de sua criação: Mojuí dos Campos. A localidade, de mais de 30 mil habitantes, atualmente é distrito de Santarém, cidade-pólo do Oeste paraense.

Foi publicada nesta quinta-feira (20) a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que aprova um plebiscito realizado por duas vezes: em 1995 e 1999. Nas duas oportunidades, mais de 84% da população de Mojuí e de Santarém votaram a favor da emancipação.

As eleições não foram realizadas até hoje pois o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília, não havia homologado os referendos. Apesar de criado, não poderia ser implantado. Porém, o Tribunal Regional Eleitoral do Pará cumpriu a lei e enviou toda a documentação, inclusive dos plebiscitos realizados e aguardava apenas homologação do plebiscito.

Isso só poderia ser concretizado pelo TSE, o que ocorreu esta semana, de acordo com resultado de sessão de julgamento divulgada no site do Tribunal. “O Tribunal, por unanimidade, homologou o plebiscito no município de Santarém, objetivando a criação do município de Mojuí dos Campos. Votaram com o relator a Ministra Cármen Lúcia e os Ministros Félix Malcher, Aldir Passarinho Junior, Marcelo Ribeiro e Arnaldo Versiani”, diz a breve nota do Tribunal.

Acompanhando de perto o processo, o Senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA) explica que todo o trabalho recente foi motivado em função da aprovação da Emenda Constitucional 57/2008, que permite a criação de municípios cuja lei tenha sido publicada até 31 de dezembro de 2006. “Era exatamente o caso de Mojuí dos Campos. O deferimento pelo TSE garantiu que a lei foi cumprida em Mojuí e já deveria ter sido efetivamente criado o novo município”, disse Flexa Ribeiro.

O parlamentar paraense informa ainda que irá nos próximos dias ao TRE (Tribunal Regional Eleitoral) do Pará, juntamente com o ex-deputado federal Nicias Ribeiro, para debater a situação. “Agora a coisa é mais prática. O TRE será informado sobre todo o processo e irá definir a data de eleição, para que Mojuí tenha seu prefeito. O Pará passará em breve a ter 144 municípios”, declarou Flexa Ribeiro.

Mojuí dos Campos possui 32 mil habitantes distribuídos em pouco mais de 56 mil quilômetros quadrados. Em dois plebiscitos, realizados nos anos de 1995 e 1999, mais de 84% da população de Mojuí e de Santarém votaram a favor da emancipação. No dia 29 de maio deste ano, já havia indicativo de que o TSE iria aprovar o plebiscito. A Procuradoria-Geral Eleitoral emitiu parecer favorável, assinado vice-procurador geral eleitoral, Francisco Xavier Pinheiro Filho.



Eleições convocadas, do Blog do Jeso Carneiro:

Eleição de Mojuí será em dezembro


O TRE (Tribunal Regional do Estado) do pará definiu hoje (13) que as eleições municipais para escolha dos primeiros 9 vereadores e do prefeito de Mojuí dos Campos, desmembrado de Santarém, serão realizadas em dezembro deste ano.

Na próxima segunda-feira (19), deve ser definida a data das novas eleições. O presidente do TRE paraense, desembargador João Maroja, propôs uma comissão para elaborar as resoluções que disciplinarão as eleições.

A instalação e efetiva criação do novo município será em 1º de janeiro de 2010.

- Esta é uma grande conquista dos paraenses. Temos hoje diversos distritos em condições para conquistar sua emancipação. A população sente que precisa de autonomia administrativa e política para poder ter melhor acesso à serviços essenciais e básicos, como saúde, educação e infraestrutura – destaca o senador Flexa Ribeiro (PSDB).

A emancipação de Mojuí voltou à tona no ano passado, quando o Senado aprovou a Emenda Constitucional 57/08, que regulamenta a criação de municípios. Até então, vigorava a Emenda Constitucional nº 15, de setembro de 1996. Esta última impunha regras que deixavam a criação de novos municípios praticamente impossivel.

A criação do novo município foi confirmada em agosto deste ano. No dia 20, foi publicada a decisão do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) aprovando um plebiscito realizado por duas vezes: em 1995 e 1999. Nas duas oportunidades, mais de 80% da população de Mojuí e de Santarém votaram a favor da emancipação.

O novo município teve sua criação aprovada pela Lei Estadual nº 6.268/1999.

No mesmo ano, o TRE-PA emitiu as resoluções nº 2.503 e 2.519, que determinavam a realização de consulta plebiscitária com a população diretamente interessada, sobre o desmembramento da Vila Mojuí dos Campos do município de Santarém. Com a homologação dada pelo TSE, só faltava o TRE-PA se posicionar.

Também determina população mínima diferentes para cada região do país. No Norte e Centro-Oeste, o mínimo de habitantes para os estudos sobre a criação de municípios é de cinco mil habitantes, enquanto que no Nordeste é de sete mil e dez mil no sul e sudeste.

O eleitorado da localidade também deve ser igual ou superior a cinqüenta por cento da população e o núcleo urbano deve já ser constituído, dotado de infra-estrutura, edificações e equipamentos compatíveis com a condição de Município.

Fonte: Assessoria de Imprensa do senador Flexa Ribeiro


Emancipação

segunda-feira, 12 de Outubro de 2009

Círio 2009



Círio de Nossa Senhora de Nazaré, padroeira da Amazônia. Mais de dois milhões de pessoas em procissão. É o maior evento religioso do Hemisfério Sul do planeta e o maior cristão do mundo. Tudo em Belém do Pará, em todo segundo domingo de cada Outubro: são onze procissões ao longo de vários dias, onde a da foto é a principal.

Para nós paraenses, o Círio é uma espécie de dia de ação de graças (thanksgiving day), porém bem mais simbólico: muito mais confraternização. É tempo de perdoar aquele amigo que deixou alguma mágoa, de visitar parentes distantes, confraternizar-se com colegas de trabalho e compartilhar a ceia do domingo com a família.

No Pará, o Círio é mais marcante que o próprio Natal: por ter um epicentro - diferente do Natal, que é difuso. Por questões de respeito, religiosos preferem afirmar que está em pé de igualdade.

Em 2009, até a Dilma Rousseff veio ver a procissão. Interessante era a pluralidade política existente no palanque das autoridades, em frente à Companhia Docas do Pará, CDP.

Na segunda-feira é feriado duplo no Pará: pós-Círio e dia de Nossa Senhora de Aparecida, padroeira do Brasil - além, claro, de dia das crianças.